domingo, 11 de abril de 2010

Born to the darkness

Não acredito em vampiros de capa e nem em paisagens negras e soturnas, mas pelo meu caminho já passaram muitas pessoas que queriam assim parecer... Tolas. Vampiras mesmo, no pior sentido,  que sugam dos outros o que podem, que roubam a alegria de viver, que enchem de sombras dizendo que oferecem a luz. E essas pessoas até que tapeiam bem, mas no dia em que a máscara cai, elas reclamam para si a alcunha de anjos injustiçados, de infelizes sofredores... Pessoas que pouco sabem de si mesmas, mas acham que já descobriram o segredo do Universo. Que fazem do negro uma bandeira, e sempre reclamam, amplificando seus problemas e a mediocridade com que tentam sem sucesso lutar contra eles. Fazem apologia à uma coisa que nem sonham como é, já que não existem limites para a escuridão... Pessoas que acham que tudo é ruim e que o mundo é perverso, e que elas é que são as coitadas. Se essas pessoas soubessem o quão são ridículas e patéticas quando divulgam em público certos textos, certas opiniões equivocadas... Não vêem que o mal vem delas, e que isso se torna arma na mão de quem realmente sabe discernir as coisas... Afinal, o vampiro só vem até quem o chama. Quem é das trevas, nesse caso?! Mas escrevem... escrevem como se soubessem! 

Textos que são lindos, tão lindos que parecem até vindos de emissários celestiais... Textos que a gente lê e se encanta, apesar de extremamente mal-escritos para quem se gaba de ter uma cultura superior... Textos que são belos e fazem sentido quando ignoramos quem os escreve. Quando sabemos de quem é, o texto se torna patético, pois é óbvio que aquilo foi escrito não por ser verdade na vida de quem fala, mas apenas e tão-somente por ser culpa de consciência pesada por maus atos praticados em todas as estações da vida. E a pessoa se enche de pose para falar do que acha ser o "amor verdadeiro", sendo que a única coisa que conheceu na vida foi a posse, o apego, e principalmente a ação de usar as pessoas... De não assumir a própria incapacidade, jogando nos ombros dos outros culpas que lhe cabem, e que prefere não assumir. O mundo não é feito só de quem te aprova, e nem todo mundo que vangloria você está sendo sincero. Tem que aprender que nem sempre você está coberto de razão, que nem sempre você é a vítima das circunstâncias, e nem tampouco somos "livres" no sentido deturpado dessa palavra, como se "ser livre" isentasse as pessoas de ter responsabilidade com relação ao que fazem de mal ou de bem às outras...

É bonito escrever textos falando de um amor idealizado, falando de amizades que só são reais e verdadeiras quando os amigos seguem seus passos e aprovam todas as suas atitudes. É mais fácil ainda falar de um amor irreal, quando a vida dá as chances de se conhecer esse sentimento, mas a pessoa, malandramente, inverte essa polaridade, se mostrando tão indigna e tão lixo que consegue despertar ódio, pena, e outros sentimentos mesquinhos, a partir do momento em que a pessoa escolhida já não é perfeita como a anterior, e deixa de ser a marionete dela... Pessoas que são podres e pobres, incapazes de enxergar o quão são perversas, imaturas e emocionalmente atrasadas. Pedem aos Deuses um amor, mas vivem em meio às sombras; pedem um amor, mas que esse amor seja do jeito que eles querem, e de preferência uma pessoa que seja facilmente enganável, pois esses seres acham que o melhor da vida é isso: fazer as pessoas de marionetes, afinal, tem gente que acha que é Anúbis, que pode colocar o coração dos outros na balança. Gente que acha lícito amar duas ou mais pessoas ao mesmo tempo,enganando ambas de forma canalha. Gente que acha que tem conhecimento ou sabedoria suficientes para discernir quem presta e quem não presta... Gente que acha que pode estabelecer comparações, que acha que é certo ter atitudes dignas de gente porca e sair impune, falando de amor e das estações trazendo surpresas... Lógico! Sempre é tempo de recomeçar! Dane-se quem ficou pra trás, para quem só olha o próprio umbigo. Mas acredito que a vida é redonda... assumo minhas responsabilidades e os meus erros, mas também creio que nada passa incólume frente à Nêmesis celeste que a tudo vê. E do mesmo modo que ela, tenho todo o tempo do mundo para esperar a hora de descontar moeda por moeda, sem abatimento algum. Sendo justo ou injusto, o mau nome é o que está grafado na placa da memória dos injustos culpados, o bem escorre como cinzas pelas poeiras dos tempos. Se sendo bom, nos dão a fama de maus, que eu seja mau, para ser mesmo assustador! Quem deve teme... E tem mais é que temer, mesmo... Afinal, tudo tem retorno. A colheita é livre, mas a semeadura é obrigatória... E que mal tem quando os "maus" resolvem dar uma ajuda ao destino, adiantando certos atos de justiça? 

Piedade é pra cristão, é pra gente que vai no centro tomar passe como se fosse hóstia, mas sem se preocupar que tipo de atitude tem na vida cotidiana, se fazendo de vítima o tempo todo, como se tivessem mesmo a pior vida do mundo.... Enfim, é tanta patifaria que eu nem tenho o que dizer. Se gosta tanto de reclamar, nada mais justo darmos motivos reais para isso. 

Eu assumo que vim da escuridão... que todos viemos... mas apenas vejo que a treva serve para vermos como a luz é boa, e mesmo a sombra serve para vermos que existe luz e existe treva, e eu é que tenho que saber como ando entre esses mundos, e como escolho meus mundos... Acho que é por aí. Sei que certas trevas me mostraram algumas coisas de forma tão contundente que eu já saberia reconhecer certas patifarias medíocres a quilômetros de distância. Agradeço a isso, mas não isento quem faz coisas erradas... e aqui estou. Quero cada moeda na hora certa. Quero parar e esperar, como a naja que dorme de dia e espera a noite sem lua para dar seu bote... E que seja um bote fatal... Para quê fingir? Deixo isso para os fracos, os eternos pseudo-sobreviventes das mazelas e injustiças que eles mesmos criam. Eles fingem, se fazem de bonzinhos... Eu não preciso disso. Pouco me importa o julgamento desses imbecis. Tenho todo o tempo do mundo... 

Para ti, mademoiselle...

Me bateu uma saudade de seu ar refinado, de seu sotaque afrancesado, da ironia fina do seu olhar... Lembrei de ti, minha querida! 

Uma música bem gostosa pra você dançar e criar, tirada de uma mega produção canadense chamada "Don Juan"... Charme total, a sua cara. (risos)

ZOLTAN E NAHEMA... parte IV

Os boêmios se tranquilizaram e Nahema ordenou a um jovem que fosse avisar Zoltan que o perigo havia passado, e que já podiam retornar. Só que o destino urdiu suas tramas, interligando os caminhos do Bispo de Paris e de Pièrre-Le-Centaure. Zoltan estava tão seguro de si mesmo e dos bruxedos da irmã que cavalgava tranquilamente. Centauro, na garupa, estava mais apreensivo. 

- Vamos a Paris? - fez o circense, divertido. - Estou com saudade de certos becos...

Pièrre deu risada.

-  Sabes que não podemos. Se por lá eu aparecesse, seria preso com certeza. E não quero deixar uma vida que aprendi a amar. 

- Então podemos procurar uma nascente, e nos banharmos! Para tirar as energias imundas vindas do Bispo! 

Tudo aconteceu muito rápido, Estavam na pequena estrada, quando uma comitiva surgiu a toda brida, atrás deles. Inspirado talvez por gênios perversos, o Bispo seguiu a direção indicada por Nahema, e ao longe, surpreendeu Centauro e Zoltan. Reconhecendo o Bispo à frente daquele destacamento de homens, Zoltan esporeou o cavalo e se embrenhou no bosque. O Bispo, em sua montaria, seguiu-lhe o encalço, enquanto o seu auxiliar tentava inutilmente acompanhar-lhe. A escolta, cerca de duzentos metros atrás, não compreendeu o rompante do padre, que, como um alucinado impulsionado por uma mola, partiu à frente deles, seguindo de forma tão perigosa e sem proteção nenhuma para enfrentar um bandido procurado! Será que ele se achava Deus?! Estavam fartos, aquele destacamento havia tido apenas prejuízos, a missão era inútil, pois era obrigação do Rei, e não daquele Bispo que os tratava de forma tão impertinente. 

Em meio à perseguição, mais e mais o Bispo se distanciava dos guardas e de seu escudeiro. Centauro disse a Zoltan:

- Ele está cada vez mais próximo, porém só. Todos os que o acompanharam se dispersaram. 

- Vou matá-lo. Após a ponte, vou parar o cavalo, apear e atirar nesse maldito. É ele ou nós. E até descobrirem, já estaremos bem longe daqui. Teremos de enterrá-lo na mata. - e enquanto idealizava esse plano de emergência, Zoltan teve singular idéia, e mudou de rumo, esporeando ainda mais o cavalo. 

Centauro nada disse, consentindo. Não havia mais o que fazer. O Bispo, em sua sede de vingança, nada mais enxergava à sua frente, apenas a sagrada taça, Centauro e Marie pendurados na forca e o acampamento circense em chamas. Viu quando os fugitivos cruzaram uma pequena e antiga ponte que conduzia a um povoado. Estava próximo! Ia chegar naquela aldeia fazendo grande alarme, e eles seriam presos! Qualquer cidadão de bem se negaria a dar asilo a fugitivos da Igreja, ladrões de relíquias santas! Estava tão acostumado a usar suas insígnias episcopais para abrir portas! Não viu, porém, que o cavalo pisou em falso ao cruzar a mesma ponte, derrubando-o e fazendo com que rolasse ribanceira abaixo. O Bispo não teve sequer tempo de fazer uma oração para se despedir da vida e encomendar a própria alma a Deus. A queda não foi tão grande, mas a pancada na cabeça de encontro às pedras foi fatal. 

Centauro apenas ouviu seu grito, e Zoltan freou a cavalgadura. Apearam, e o boêmio sacou a arma, em atitude defensiva. Voltaram alguns passos, na direção do pequeno ribeiro que passava abaixo da tal ponte antiga, e encontraram o Bispo caído, um filete de sangue escorrendo de sua cabeça, tingindo de vermelho as águas tranquilas. Do cavalo dele, nem sinal. 

- Será que ele morreu, Zoltan?

O egípcio levantou a sobrancelha:

- Espero que sim. Pois ao menos me economiza a bala, e nós não nos complicamos. Foi um acidente. Creio que o demônio veio buscar um dos seus mais fiéis servidores... - e gargalhou. 

CONTINUA...