domingo, 11 de abril de 2010

ZOLTAN E NAHEMA... parte IV

Os boêmios se tranquilizaram e Nahema ordenou a um jovem que fosse avisar Zoltan que o perigo havia passado, e que já podiam retornar. Só que o destino urdiu suas tramas, interligando os caminhos do Bispo de Paris e de Pièrre-Le-Centaure. Zoltan estava tão seguro de si mesmo e dos bruxedos da irmã que cavalgava tranquilamente. Centauro, na garupa, estava mais apreensivo. 

- Vamos a Paris? - fez o circense, divertido. - Estou com saudade de certos becos...

Pièrre deu risada.

-  Sabes que não podemos. Se por lá eu aparecesse, seria preso com certeza. E não quero deixar uma vida que aprendi a amar. 

- Então podemos procurar uma nascente, e nos banharmos! Para tirar as energias imundas vindas do Bispo! 

Tudo aconteceu muito rápido, Estavam na pequena estrada, quando uma comitiva surgiu a toda brida, atrás deles. Inspirado talvez por gênios perversos, o Bispo seguiu a direção indicada por Nahema, e ao longe, surpreendeu Centauro e Zoltan. Reconhecendo o Bispo à frente daquele destacamento de homens, Zoltan esporeou o cavalo e se embrenhou no bosque. O Bispo, em sua montaria, seguiu-lhe o encalço, enquanto o seu auxiliar tentava inutilmente acompanhar-lhe. A escolta, cerca de duzentos metros atrás, não compreendeu o rompante do padre, que, como um alucinado impulsionado por uma mola, partiu à frente deles, seguindo de forma tão perigosa e sem proteção nenhuma para enfrentar um bandido procurado! Será que ele se achava Deus?! Estavam fartos, aquele destacamento havia tido apenas prejuízos, a missão era inútil, pois era obrigação do Rei, e não daquele Bispo que os tratava de forma tão impertinente. 

Em meio à perseguição, mais e mais o Bispo se distanciava dos guardas e de seu escudeiro. Centauro disse a Zoltan:

- Ele está cada vez mais próximo, porém só. Todos os que o acompanharam se dispersaram. 

- Vou matá-lo. Após a ponte, vou parar o cavalo, apear e atirar nesse maldito. É ele ou nós. E até descobrirem, já estaremos bem longe daqui. Teremos de enterrá-lo na mata. - e enquanto idealizava esse plano de emergência, Zoltan teve singular idéia, e mudou de rumo, esporeando ainda mais o cavalo. 

Centauro nada disse, consentindo. Não havia mais o que fazer. O Bispo, em sua sede de vingança, nada mais enxergava à sua frente, apenas a sagrada taça, Centauro e Marie pendurados na forca e o acampamento circense em chamas. Viu quando os fugitivos cruzaram uma pequena e antiga ponte que conduzia a um povoado. Estava próximo! Ia chegar naquela aldeia fazendo grande alarme, e eles seriam presos! Qualquer cidadão de bem se negaria a dar asilo a fugitivos da Igreja, ladrões de relíquias santas! Estava tão acostumado a usar suas insígnias episcopais para abrir portas! Não viu, porém, que o cavalo pisou em falso ao cruzar a mesma ponte, derrubando-o e fazendo com que rolasse ribanceira abaixo. O Bispo não teve sequer tempo de fazer uma oração para se despedir da vida e encomendar a própria alma a Deus. A queda não foi tão grande, mas a pancada na cabeça de encontro às pedras foi fatal. 

Centauro apenas ouviu seu grito, e Zoltan freou a cavalgadura. Apearam, e o boêmio sacou a arma, em atitude defensiva. Voltaram alguns passos, na direção do pequeno ribeiro que passava abaixo da tal ponte antiga, e encontraram o Bispo caído, um filete de sangue escorrendo de sua cabeça, tingindo de vermelho as águas tranquilas. Do cavalo dele, nem sinal. 

- Será que ele morreu, Zoltan?

O egípcio levantou a sobrancelha:

- Espero que sim. Pois ao menos me economiza a bala, e nós não nos complicamos. Foi um acidente. Creio que o demônio veio buscar um dos seus mais fiéis servidores... - e gargalhou. 

CONTINUA...


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