A estrela Sírius brilha forte no céu do Egito. Que ainda não se chamava "Egito"... A abençoada terra de Kemi, a terra de paisagem ardente e ventos de mistério. Esses ventos sopram, conduzindo meu sonho sem fim à uma construção antiga. Como uma sombra negra no negro da noite vou me esgueirando pelas imponentes paredes, altas e grandes como a compreensão da Deusa, fortes como as asas protetoras da Mãe dos Homens.
Ouço uma música, que será isso? A melodia é doce. Por Daeg, é doce demais! Tão diferente das músicas selvagens e fortes que o deserto puxa e clama em minha alma insana... Sinuosa e hipnótica, bela como o ondular da naja, mas não agressiva como ela, que de tudo se defende e tudo pode destruir. Música cadenciada e encantadora, parece o vento leve do pôr-do-sol, quando ajoelhamos e com a cabeça ao solo pedimos aos Ancestrais o sucesso e a sua benção em mais uma noite escura. Meu olhar parou sobre uma doce figura que se movia delicada naquele ambiente. Notei que no que parecia um altar, uma estátua coberta por transparente véu impunha respeito. O tremular das luzes tecia movimentos, a estátua daquela deusa parecia mover-se correspondendo à benção que tantas mulheres ali presentes, pediam... Reunidas num culto. Ora, um templo! E eu estava ali, oculto na parede, como um efritt, como um gênio da noite, escondido pela sombra obscura, observando aquele estranho e singular ritual. A doce figura que vi era uma jovem de catorze ciclos de chuva, vestida com a simplicidade das sacerdotisas. Linda! Parecia um pedaço de sonho, os olhos grandes e expressivos fitando a estátua, a atitude reverente... Ela executava, ao som daquela música suave, estranhos passos... Dançava no compasso daquela música bonita, mas por mim desconhecida. Eu nunca tinha visto uma mulher dançar daquela forma, tão leve e tão diferente de tudo o que já havia visto nas terras ardentes. Ela era tão linda, seus olhos em comunhão com o sagrado do local e do momento. Ela parecia frágil e delicada, como uma flor do óasis, mas sua dança vaporosa tinha uma força sem igual, parecia que clamava aos ventos... Seu véu diáfano agitava-se no ar, parecia até que o vento dançava com ela...
Amei-a desde esse momento, e minha alma me disse: ela é tua! E eu me pergunto: quem sou eu, pobre pária, nômade do deserto, como posso sonhar possuir uma estrela do céu? Entrei naquela construção imponente tencionando conseguir algo, alguma riqueza que fosse, e me vi preso aos olhos daquela jovem, quase uma menina... Vi a riqueza que buscava no contorno dos seus lábios, vi o véu do mistério que me encanta ornando os cabelos longos, a alvura da veste dela contrastando com o negro de minha alma. Amei-a com todas as forças de minha essência insana e cruel, e quem me visse ali riria de mim, sempre tão feroz e tão severo, curvado ao peso do agitar de um lenço, na dança ritual de uma sacerdotisa... Se meus Ancestrais estão certos, e se vivemos inúmeras vezes e o tempo não existe, posso afirmar: já vi aqueles olhos, já senti aquele encanto, poderia viver cem anos, poderia viver cem vezes, e me lembraria! Da delicadeza de suas mãos, de seus pézinhos com asas, tão leves como eu queria que fosse a minha consciência e minhas lembranças...
Agora, preciso ir. Ouço passos. Devem ser os guardas do Templo. Dizem que eles são implacáveis com quem não respeita a reclusão das mulheres consagradas à Deusa. E eu respeito a Deusa, mesmo que eles dêem à Ela outros nomes. Sou mau, mas acredito nos Deuses. Vim aqui para roubar, e vou voltar sem o meu coração. Ela não me viu, claro... Não sei o motivo, mas pressinto que a vida reserva algo para nós. Acabei de vê-la pela primeira vez, mas já a amo, e nem sei como isso é possível! E ela é tão diferente das mulheres do deserto! E é por isso que me encantei, ela é tão única! Volto silencioso e sorrateiro, como um escorpião. Em meus ouvidos, a música doce... Em minha mente a lembrança das estrelas e daquele olhar celeste. Já decidi: quero-a para mim. Não roubei nada do Templo hoje, mas essa sacerdotisa, eu levarei amanhã... E não apenas na alma, mas de verdade! A roubarei daqui, a carregarei por outras terras. Já não saberia mais enfrentar os ventos do deserto sem o olhar de tão delicada figura... Sou terrível, mas a amo... Sempre a amarei. E ela me amará, com certeza... A lua negra, mesmo que oculta no céu do deserto, é minha testemunha...
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Esse texto foi escrito num momento muito especial da minha jornada, para uma das pessoas que mais amo, que mora no meu coração, dentro de um palácio tão suntuoso e forte como o Templo que descrevi: Sumaya, com sua graciosidade oriental sempre encantando a todos os que tem a ventura de conhecê-la! Você é muito importante na minha vida, viu, cigana?! Muito obrigado por existir e por estar sempre a meu lado, nessa vida louca, linda e dinâmica, onde a toda hora nos preocupamos com os rótulos e trocamos de papéis... E no fim das contas, percebemos que tudo isso independe quando existe a força chamada "amor", e que essa força é capaz de tudo. Que independente de rótulos e papéis na vida, temos nossas essências, e sentimentos que tem vida própria, e se adequam às nossas jornadas, e mesmo que se transformem, continuam fortes e lindos... Que podemos ter muito, e até ser muito, mas se essa força-motriz não nos toca, nada somos... Ou como já diz uma das canções que mais amo: "A vida vale apenas quando o amor nos toca!"... Obrigado pelo muito que aprendi (e aprendo, e espero sempre aprender) com você.
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Esse texto foi escrito num momento muito especial da minha jornada, para uma das pessoas que mais amo, que mora no meu coração, dentro de um palácio tão suntuoso e forte como o Templo que descrevi: Sumaya, com sua graciosidade oriental sempre encantando a todos os que tem a ventura de conhecê-la! Você é muito importante na minha vida, viu, cigana?! Muito obrigado por existir e por estar sempre a meu lado, nessa vida louca, linda e dinâmica, onde a toda hora nos preocupamos com os rótulos e trocamos de papéis... E no fim das contas, percebemos que tudo isso independe quando existe a força chamada "amor", e que essa força é capaz de tudo. Que independente de rótulos e papéis na vida, temos nossas essências, e sentimentos que tem vida própria, e se adequam às nossas jornadas, e mesmo que se transformem, continuam fortes e lindos... Que podemos ter muito, e até ser muito, mas se essa força-motriz não nos toca, nada somos... Ou como já diz uma das canções que mais amo: "A vida vale apenas quando o amor nos toca!"... Obrigado pelo muito que aprendi (e aprendo, e espero sempre aprender) com você.
Quantos passos já foram dados no deserto, em tempos imemoriais; lições aprendidas e repetidas durante as vidas que passaram como as estações, como as civilizações... Somos jovens diante do tanto que ainda temos que aprender, das tantas coisas que nessa vida já aprendi contigo, me sinto feliz! Independente dos rótulos e padrões e do que fomos ensinados a pensara, soubemos seguir por caminhos que realmente nos fizeram felizes porque sabemos de onde viemos, então sabemos onde devemos chegar...
ResponderExcluirFelicidades e por siempre me kamal to!