quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

REFLEXÕES DO DIA...

Sim! Ruano reflete!!! Ruano pensa!!! Ruano se interioriza e medita, na busca por respostas úteis e aplicáveis na vida diária... Afinal, de que adiantam conceitos bonitos e elevados se uma pessoa resolver usá-los como um black-tie, como uma roupa de festa? Usa para impressionar, e quando convém, em algumas horas propícias onde o vestuário é cabível. No cotidiano, a roupa de luxo fica lá, guardada, enfiada dentro de um armário cheirando a mofo. Muita gente usa certos conceitos maravilhosos como uma jóia: para ostentação, sem sequer imaginar o valor que a coisa tem. Resumem, limitam, mediocrizam idéias. E bancam as intocáveis, as poderosas, as iluminadas... Elas sabem, as outras não. Elas andam, os outros não podem andar. Pára!!!

Sim, eu penso!!! Eu sinto!!! Eu vejo, observo, analiso, me olho... Tento me encontrar, me entender, para não me perder dentro de mim! E uma coisa eu digo: se eu me perder dentro de mim, enlouqueço, pois é uma imensidão! (risos)... Aliás, desde o último inverno (sim, eu conto meu tempo interno pelas estações... quem me conhece sabe), o que mais faço é observar, refletir e analisar. A diferença é que, durante muito tempo, eu lutei e relutei com algumas coisas... Agora, não penso mais nisso, penso que o aprendizado maior talvez seja o de seguir o fluxo. Algo que para mim é um desafio, pois eu sempre gostei de agir e realizar, e não de esperar... Enfim! A gente pensa e tira algumas conclusões, né? A vida tem vida própria, e certas coisas estão na nossa cara o tempo todo, só a gente finge que não vê.

- as pessoas só reclamam. E nessa de reclamar, a culpa sempre é do outro. O que o outro nos fez, como eu fiquei porque o outro agiu assim-ou-assado, o outro me ofendeu. E por aí vai. E dessa mágoa, a pessoa faz um ópio, enfia num arguilé com absinto na garrafa, acende e fuma... E pira! Fuma essa loucura, e solta a fumaça nos outros que chegam perto... Não adianta chegar perto e dizer: "sai daí. Vem pra cá. Eu cuido de você. Eu curo você. Eu tenho um mundo novo e bonito para te oferecer, se você me disser que quer a lua, eu te dou". Não adianta. Em seu devaneio de ópio, a pessoa vai achar que você é um intruso, que está mentindo, e que nada do que você faça é suficiente. Eu percebi isso. Percebi que fiz um show maravilhoso, na vida, digno de premièr-danser que sou... Mas os aplausos não eram para mim. Eu podia dançar até me acabar, os aplausos sempre eram para outra direção. E eu acredito que a coisa continue nessa linha, pois eu leio e releio as coisas, e nunca sei a quê ou a quem elas se destinam. Pode ser a mim (será que sou importante?), pode ser aos amigos-que-sempre-metem-o-bedelho, pode ser ao outro valete desse baralho fuleiro. Eu já não sei e nem mais acredito... Enfim...

- é muito bacana pegar aqueles livros que a gente não leu e citar deles as frases que estão na boca de Deus-e-o-mundo, que viraram domínio público, por serem largamente utilizadas em variados locais... Para dar a impressão de que a gente leu, né? Todo mundo faz isso com a Bíblia, acho que é o maior exemplo disso que citei. Meia dúzia de frases soltas que só se aplicam quando convém. Quando imbuídas de uma ideologia, de uma motivação egoísta. Muitas dessas frases acabam recebendo dois destinos que citei: ou viram ópio ou viram jóia cara... Ou seja: só são usadas quando são agradáveis. E adianta? É muito fácil aplicar certos conceitos para julgar os outros, difícil é aplicar a mesma coisa para si e ver a parcela de culpa (ou responsabilidade, como é mais très-chic de dizer) que se tem, quando a coisa sai do controle. Ou quando se erra. É fácil pedir perdão com a boca, com palavras vazias. Difícil é expressar isso em atitudes cotidianas, não-isoladas de um contexto. Hoje me bate, amanhã assopra, e no dia seguinte, "essa lenga-lenga toda recomeça, puxa vida, ora essa, vivo na ponta dos pés!"... "E se eu cair conto até dez!"...

- eu adoro pessoas que se apaixonam por mim de verdade. Sim, sou leonino... Ego à flor da pele, doendo nos cotovelos, na raiz dos cabelos e nas unhas dos pés. Sim, eu tenho um veneno no doce da boca, eu tenho uma faca no brilho dos olhos... cuidado, eu sou perigosoooooooo... Quanta ironia... Toma leite, Ruano... Dizem que leite corta veneno. Voltando: sim, eu sou passional. Eu gosto de gente que se apaixona mesmo, e que, mesmo sabendo que não há e nem haverá correspondência, que eu não penso em ceder, nem em me entregar e menos ainda em oferecer esperanças, eu gosto de gente que tenta, que luta, que acredita. Que bate no peito e diz: "Eu amo e vou lutar por você"... E isso não é apenas para preencher meu ego, não... Nesse caso, não... Pessoas assim conquistam o que tenho de melhor: meu respeito. Meu respeito é coisa que não se compra com presentes, nem com elogios e menos ainda com patacas. E me ajudam a ter certeza de que não sou louco, de que sim, sou ardente, sou passional, acredito na força dos sentimentos, que brotam da terra como lava de vulcão, ou que brotam da terra como flores, dependendo do contexto. E gosto disso: de gente que tenta. Que luta para me conquistar, como eu mesmo já lutei para conquistar quem quis... Malandramente ou afetivamente, sinceramente para uma eterna noite ou falsamente para uma vida inteira... Mas eu fiz! Eu vibrava quando conquistava o mais difícil, a vitória tinha um sabor ainda melhor! Os beijos eram mais quentes, a pele ficava até com mais viço, até a virilidade do meu corpo correspondia de forma mais eloquente, parecia que quanto mais difícil era o caminho, melhor era o prazer! Só que o Ruano é louco-de-pedra. As pessoas não são assim. Elas querem tudo fácil. Facinho, facinho, só faltando a gente voltar aos antigamentes, e deixar papai-e-mamãe escolher para nós o par ideal. E rezar para Santo Antoninho fazer a gente se apaixonar e ser feliz num nicho de amor já prontinho! E se você fala para alguém: me conquiste! A pessoa se ofende, pois em seu ego, jamais admite a possibilidade de "se rebaixar" lutando para conquistar quem supostamente ama... Eu estou aqui, você que venha! Lógico!!! Afinal, tem rei e tem vassalo, não é verdade?! Para que alguém vai lutar, sabendo que vai perder? Melhor entregar os pontos de uma vez... E jogar a culpa no outro: "eu fiz o que eu pude, você é quem não quis!"... Lógico, a pimenta sempre é doce-de-leite (doce deleite) nos outros. Em nós, arde e até inflama. Como Helena de Troia deve ter pensando, em sua cabeça louca: "Foda-se se uma guerra acontece por minha causa! Eu quero é ser rainha, seja aqui ou lá"... E parece que o raciocínio de muita gente segue a mesma linha: destróem e querem receber tudo de volta de mão-beijada, com direito à festa até com go-go boy saindo de dentro do bolo. Para quê lutar? Para quê refletir onde errou, se continua errando todos os dias? Se nem sequer percebe onde está o erro? Eu tenho que parar para esperar uma esmola, e se assim não faço sou apenas egocêntrico? Onde é que está o limite? E o sentimento, cadê? Por essas e outras, eu concluo e afirmo: gosto de gente que insiste, que bate o pé, que tenta... Respeito quem é forte como eu, não quem foge e se esconde debaixo da saia da mãe-macumbeira, ou quem se comporta como o poodle-da-madame-de-sangue-latino-metida-a-ser-da-corte-inglesa. Sim, como o poodle. "Eu tiro daqui e boto ali. É meu, tem pedigree e eu faço o que quiser. Sempre que eu quiser, ele vai latir para mim". Não! Eu gosto de gente forte, que dá a cara à tapa e briga pelo que quer, mesmo no berro. Gosto dos meus iguais. E o tempo passa e a gente nem sabe a quantas anda, pois até perguntas indecorosas a gente ouve, estabelecendo comparações que envolvem até amigos-de-amigos... Quando eu amo, eu não sinto vergonha da pessoa. Aliás, se me conhecesse bem, saberia que eu só amo quem admiro. Acabei de citar isso acima: admiro gente forte. Só que o problema é: qual é o ponto de referência? O valete-latino-do-baralho onde sempre fui carta-fora, onde sempre fui persona-non-grata. É muito doloroso amar uma pessoa que não te enxerga, que só vê na frente um passado, e que sempre te compara com outra, nas menores coisas... Sou um homem lindo e exótico, preciso mesmo disso?!

- Mais fácil ainda depois de sujar-e-não-limpar, é receber a revelação celeste da divina auto-aceitação. Essa é a melhor forma de continuar pisando nos outros, porém de forma clean. Afinal, isso é ser chique. E chique é ser inteligente.

No mais, cansei. Quero e vou ser feliz. Tem muita, mas muita gente nesse mundo. Quero ao meu lado pessoas fortes e que me respeitem, que olhem para mim e me vejam, e não fiquem me usando como escudo onde só se refletem outras caras canalhas. E isso vale para tudo! (risos)

E no final, eu me pergunto: escrevi isso tudo para quê? Essas frases ininteligíveis? Esses devaneios loucos vindos de uma alma regada a Domecq e cigarros finos? Quem vai ler e entender? Não me interessa... A resposta está numa canção que adoro, que diz: "ninguém sabe que isso acontece por que vou passar minha vida esquecendo você..."

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