domingo, 14 de fevereiro de 2010

MOMENTO: "O Morro dos Ventos Uivantes"


Pois é... Para não dizerem que minha alma é feita só de passado e de cultura andaluza, hoje resolvi escrever sobre uma obra da literatura inglesa que amo de paixão... Sim, pois quem vive de passado é museu. Eu odeio essas pessoas que fazem apologia diária ao passado, sempre se referindo ao próprio passado como um dogma. Como um altar no qual todos são obrigados a rezar. Tá! É importante relembrar, eu mesmo sou super saudosista e nostálgico, mas certas coisas tem limite. Eu lembro do ontem, mas vivo o hoje. E não deixo o ontem criar obstáculos intransponíveis no hoje, tento não deixar o meu passado criar muros que me limitem e principalmente, limitem as minhas relações com pessoas que gosto. Mas enfim, isso é assunto para outro post.

E lógico... Eu adoro literatura. Leio muito! Literatura inglesa: Shakespeare, Wilde, Poe... Emily Bronté, com seu morro de ventos uivantes, é uma das escritoras que mais amo, não só pelo teor do romance e dos seus poemas, mas por tudo. A história dela e seus irmãos é fascinante, intrigante mesmo. Além disso, é surpreendente que um único romance tenha imortalizado seu nome de tal forma... Fora a questão do realismo fantástico e dos conceitos de espiritualidade e moral expressos em sua obra-prima, algo à frente do seu tempo. Focaliza a vida como um todo, sendo que a morte não é o fim e nem o começo, é uma transformação, uma libertação da essência humana. Eu juro que eu só queria saber de que parte da alma ela tirou Heathcliff e Catherine. O que passou na cabeça dela no momento em que ela criou esses dois. É lógico que como romântico incurável que sou, adoro as histórias de casais famosos da literatura e da vida real também. Acredito que os casais representam viagens arquetípicas, pois ensinam a compreender e vivenciar facetas do amor. Cada um do seu jeito, cada história com seu simbolismo.

Catherine e Heathcliff são um dos casais que mais me fascinam; ele é perverso!!! E ela é extremamente geniosa, e eu digo: essa história faz a gente pensar no quanto uma frase dita faz toda uma diferença e pode alterar todo um curso de vida. Sim, eles se amavam, isso é fora de dúvida, haja visto a obsessão doentia que um nutria pelo outro. O que um desvio de caminhos é capaz de fazer, alterando tudo, menos a essência de um amor que ultrapassa todas as barreiras de bem e mal, certo e errado.

Assisti também várias versões cinematográficas desse casal demoníaco e único. A primeira que vi e que mais me marcou foi a estrelada por Ralph Fiennes e Juliètte Binoche. Quando vi o filme, ainda não tinha lido o livro. Um filme que passou, de madrugada, quando eu estava insone. A princípio, não entendi bem e achei tratar-se de um filme enfadonho. Mas assim que ouvi a palavra "cigano", quando o fazendeiro trouxe um menino sujo que recebeu o nome de Heathcliff, eu me interessei. Como assim, "cigano"??? E eu me envolvi. Me apaixonei por ambos, por aquela Catherine ousada e intempestiva, e por aquele Heathcliff forte, magnético, que depois se mostrou malvado, perverso, diabólico mesmo... Não esqueço a cena do regresso dele, todo de preto, no cavalo preto, e da cena seguinte, quando ele vai se encontrar com Catherine, casada com outro. E em como ele se empenhou para arrasar a vida do seu rival... E para se vingar de tudo o que o havia separado dela, mesmo que ele jamais admitisse... Ele é perigoso, cruel e mau, mas não tem como sentir ódio dele ou enxergá-lo como um vilão. Surpreendente... Para mim, a cena que mais me marcou foi quando, depois da morte de Catherine, Heathcliff invade a casa e aparece no velório... A expressão dele frente ao caixão foi a coisa mais dolorida que já vi. Mais ainda quando ele a retira do caixão e a abraça, com aquela dor, com aquele amor... E por conta desse amor, o cruel cigano chegou nas raias da loucura... Fez coisas que deixam a gente chocado... Chocado, mas acreditando que uma paixão dessas, que um amor insano desses é possível, sim. A não-realização do amor deles me escandalizou mais do que as maldades que ele fez para se vingar da família maldita de Cathy, que o afastou dela. E fica também a lembrança dos momentos lúdicos no começo, na charneca, sob os ventos uivantes... O que poderia ter sido, se eles tivessem podido ficar juntos?

No dia seguinte ao filme, fui na estante e peguei o livro, perdido entre tantos outros, herdado há anos, mas nunca lido. Me empolguei ainda mais, pois o livro é narrado sob várias óticas, o que nos faz ter outras opiniões sobre as personagens. Adorei! Sobretudo a parte do começo, quando o fantasma de Catherine bate nas vidraças, pedindo para entrar em casa! Meu Deus!!! Que história... Sou, decididamente, apaixonado por esse cruel Heathcliff. Tenho muito dele, acredito... (risos)

Um detalhe: hoje é dia de São Valentim, e em alguns países de cultura inglesa comemora-se o Dia dos Namorados... Nada mais justo que eu colocasse aqui um post sobre meu casal preferido... Feliz Dia de São Valentim a quem tem alguém, e que ele abençõe quem está na busca por um par. Não perfeito, pois perfeição é ilusão. Par possível. São Valentim, olhe por mim! (risos)

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"Minhas grandes infelicidades nesse mundo tem sido as infelicidades de Heathcliff. Aguardei-as e senti-as todas desde a sua origem. É ele a minha grande razão de viver. Se tudo perecesse, mas ele ficasse, eu continuaria a existir. E, se tudo permanecesse e ele fosse aniquilado, o mundo inteiro se tornaria para mim uma coisa totalmente estranha. Eu não seria mais parte desse mundo. (...) Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre, sempre, em meu pensamento. Não como um prazer, visto como nem sempre sou um prazer para mim mesma, mas como o meu próprio ser." Catherine, para Helena, no capítulo IX, num momento crucial da trama. Leiam!!! (risos)




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